
A Av. Paulista é um dos principais locais de apresentação dos artistas de rua
Com papel fundamental para cena da cidade muitos dos artistas de rua optam por ter como principal fonte de renda aquilo que recebem quando “passa o chapéu”. O ator Marcelo Roya, 25, é um deles, ele faz da rua seu palco e tablado, realizando desde encenações de peças teatrais a apresentações em malabares. “É muito divertido o contato com o público, eles adoram e a gente faz porque se diverte.”
Apesar do exercício da atividade ser em locais públicos, Marcelo diz que há muito estudo e ensaio por de trás das apresentações, diz também que no decorrer das cenas tudo pode simplesmente mudar com a intervenção de alguém da plateia. “Eu estudo teatro de rua e gosto mais porque na rua você encontra gente de qualquer tipo, apesar de ter tudo marcado não sabemos o que pode acontecer.” O ator afirma não encontrar problemas quanto à aceitação da população, porém comenta que muita gente não enxerga o que faz com um trabalho.
Um exemplo disso vem de uma estudante de Direito “Os artistas de rua deveriam procurar uma ocupação fixa e legal, há muito tumultuo enquanto se apresentam e isso atrapalha a circulação nas calçadas.”, diz, Andreia Bueno, 22 anos. Opinião contrária é a do professor de história Fábio Batista, 41, que relata “Incentivo meus alunos não só a respeitar o trabalho dos artistas como também apreciá-lo, é importante que a gente reconheça o esforço deles para nos entreter e transmitir o que estudam.”. Quanto aos episódios de perseguição a artistas de rua no ano de 2010, quando a prefeitura da cidade de São Paulo queria exigir uma autorização para a realização da atividade, Roya expressa indignação “O artista tem a livre expressão, é o cumulo o Kassab pedir uma autorização, quero ter a liberdade de me expressar, eu estudo para isso.”. Atualmente há um decreto por parte da prefeitura que permite a utilização de vias públicas para a pratica do exercício.
Questionado sobre quais seus sonhos para o futuro, Marcelo discorreu sobre o assunto com tranquilidade “Já trabalhei em um escritório e em quatro empresas de telemarketing, eu tenho que ser respeitado no sentido que eu não escolhi ter um trabalho de segunda a sexta, eu escolhi pelo menos agora, passar o chapéu, conseguir grana, viajar, eu moro com meus pais, mas eu escolhi fazer isso, não tem outra coisa que eu quero fazer, meu lugar é ir e voltar, eu quero aprender uma coisa nova em cada lugar que for esse é meu desejo seguir contra o fluxo comum das pessoas que é ter uma vida morna, estou muito apaixonado por viver.”.
Assim como Roya muitos artistas todos os dias se dedicam a conquistar seus sonhos e ganhar a vida através do trabalho nas ruas, a aceitação ao espaço deles em locais públicos tende a ser mais reconhecida, e os contratempos diminuídos. Hoje vemos mais publicações que os abordam como o que são trabalhadores e cidadãos, que merecem respeito e admiração por parte de todos. “Falamos tanto de modernidade e ainda nos deparamos com o preconceito de alguns, isso não deveria existir.”, diz, Fábio Batista.





0 comentários:
Postar um comentário