O trabalho invisível dos catadores que tiram lixo das ruas

"Se está puxando a carroça, acham que você é maloqueiro. Não veem que você é pai de família".

Por AUGUSTO FERNANDES

 Antônio “O que todos acham que é lixo, para mim é o meu ganha pão.
Terceira maior cidade do mundo, São Paulo tem mais de 10,9 milhões de habitantes que geram 18 mil toneladas de lixo diariamente. Apenas 1% de tudo é reciclado, e isso só acontece através de um trabalho quase invisível de mais de 20 mil catadores de lixo, que coletam a maioria dos materiais recicláveis. Para acabar com essa indiferença que os catadores têm na sociedade, projetos buscam melhorar as condições de vida e dar visibilidades aos coletores de lixos. São iniciativas como o Pimp my carroça, Movimento 20º, MNCR, entre outros projetos espalhados pelo Brasil.

O movimento 20° tem o objetivo de atender as necessidades básicas do trabalhador. “O movimento tem esse nome, justamente para fazer uma crítica às pessoas que fingem não enxergar os catadores, pensam que o trabalho deles não tem valor. Isso é um grande erro, graças a esses trabalhadores a cidade de São Paulo não afundou no lixo. Tem gente que começou a catar lixo desde os 14 anos, agora ele tem 25 anos, pensa o tanto de lixo que ele não tirou da rua. Cerca de 90% do lixo reciclado é coletado pelos catadores”, diz Aldair Assis, 55, um dos fundadores do projeto.

Um dos catadores que faz parte do 20º, Antônio Corrente hoje enxerga a importância de seu trabalho. “A gente se sente abandonado quando não temos ajuda, graças ao 20º eu comecei a dar mais valor em mim e no meu trabalho, porque eles me mostraram a importância do catador para a cidade", afirma o catador, enrugando a testa, ele fecha a cara ao pensar em algo que havia acontecido com ele recentemente, “Às vezes só porque você é um catador e está puxando a carroça já acha que você é maloqueiro, um drogado, eles não veem que você é um pai de família”.

Antônio se apoia na carroça, a perna direita passa à frente da esquerda, cruza os braços, acende um cigarro e dá uma risada meio tímida. “Ô zica, vai vendo. A carteira assinada de um trabalhador tem grande importância, para ele é um grande orgulho, ainda mais se for de uma grande empresa. É a mesma coisa que eu sinto da minha carroça”.

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