Travestis e transexuais sofrem mais preconceito que os gays

Por JEAN SAMPAIO

As travestis são as vítimas que são assassinadas com maior requinte de crueldade
Segundo dados do site “Homofobia Mata” criado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) – a mais antiga associação de defesa dos direitos humanos dos homossexuais no Brasil - no mês de setembro deste ano foram mortas no país 16 travestis. A maioria dos assassinatos praticados contra a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) no Brasil tem como vítimas os gays e as travestis, sendo que muitos desses assassinatos são decorrentes do preconceito, no caso, a transfobia.
De acordo com a Coordenadora de Políticas para a Diversidade Sexual de São Paulo, Heloisa Gama Alves, os dados do GGB não são oficiais - já que se baseiam em notícias de jornais -, e que, pela ausência de dados oficiais, não é possível afirmar que as travestis são as maiores vítimas de assassinatos no país, mas assegura que, dentre a população LGBT, são as que mais sofrem com esse tipo de crime. “As travestis, por sua alta vulnerabilidade social, falta de inclusão social e preconceito são as vítimas que são assassinadas com maior requinte de crueldade, com o assassino deixando a marca do seu ódio”.
Por falta de oportunidades, estudos, direitos e, consequentemente, por sofrerem muito preconceito, diversas travestis e transexuais entram para o mercado da prostituição para sobreviver. Tudo começa dentro de casa, quando a família descobre que tem um gay afeminado no lar e não aceita a condição de orientação sexual do filho. “Você sai de casa com 13 e 14 anos porque se descobre gay e afeminado, que é uma futura travesti. Você não têm escola, porque nenhuma te aceita sem que  os pais vão lá para assinar. Você não têm o amor da sua família e é expulsa de casa”, explica a transexual Renata Peron, que é drag queen e vive da música.
Renata, que nunca se prostituiu, diz que diariamente sofre preconceito e que ele não mudou, só está mais velado. “O preconceito não mudou, ele ficou velado. Continua o mesmo, mas por medo de represálias eles não descriminam, mas ele continua embutido ali”. A cantora afirma que o preconceito ficou mascarado depois que a lei 10.948 - que pune toda a manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra a população LGBT - foi sancionada em 2001. “Tem gente que tem aversão as coisas. A gente tem que aprender a conviver com isso. Nem todo mundo é obrigado a entender e aceitar. O que o ser humano tem que fazer é respeitar”, insiste.

A Lei 122, que visa criminalizar a discriminação motivada unicamente na orientação sexual ou na identidade de gênero, está parada no Senado Federal e para a coordenadora Heloisa Gama Alvez é muito importante que ela seja aprovada para diminuir a violência homofóbica. “A aprovação de uma lei federal que criminalize a homofobia é de suma importância para o enfrentamento a homofobia e para coibir essa violência ainda desmedida contra a população LGBT, inserida nesse contexto as travestis. Sem penas fortes e contundentes, não há como diminuir a violência homofóbica”, afirma.
“A Sociedade é tão hipócrita que condena a travesti por estar na rua e não tira ela da rua. Aponta o dedo, critica e não faz nada para tirar ela dali”, conclui a transexual.

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