Boca de urna: um crime eleitoral e ambiental

Atitude pode influenciar eleitores no voto e ao mesmo tempo em que deixam as ruas parecendo um lixão
 

Por EDERSON FERNANDES

Foto: Ederson Fernandes de Almeida

Em um colégio eleitoral no Jabaquara, zona Sul de São Paulo, candidatos foram vistos entregando panfletos e conversando com os eleitores e grande parte deles foram jogados na rua pelos eleitores.

O período de eleições é sempre muito movimentado em todo o Brasil e o que ainda chama a atenção é a boca de urna feita por candidatos e anônimos e tem como finalidade comprar o voto do eleitor. São distribuídos panfletos de propaganda com o número dos candidatos e a maioria da população, desinteressada, faz o que lhe é de costume, joga-os na rua, deixando os arredores dos colégios eleitorais parecendo um verdadeiro lixão e quando não sabe em quem votar, acaba optando pelo candidato do panfleto, deixando-se influenciar.

Em um colégio eleitoral no Jabaquara, zona Sul de São Paulo, candidatos foram vistos entregando panfletos e conversando com os eleitores, provavelmente tentando convencê-los com propostas direcionadas à região. O eleitor Carlos Guerra, que possui um estabelecimento comercial na região próxima ao terminal rodoviário do Jabaquara, conta que assim que estava chegando para votar, foi parado por um candidato a vereador que lhe contou sobre os planos e metas para a região e após perguntar sobre o emprego do eleitor, também mostrou determinação em reduzir taxas para comerciantes. “Ele disse que era professor e que seu foco principal era melhorar as escolas públicas, mas depois de eu lhe contar que era comerciante e que tinha um estabelecimento, ele mudou o discurso para taxas. Mesmo assim não me convenci, eu já tinha um candidato para votar”, diz o homem, que possui uma mercearia.

Por outro lado, a doméstica Rosa Souza afirma que não sabia em quem votar para vereador devido ao grande número de candidatos e à falta de tempo e de paciência para acompanhar as propagandas eleitorais, então ela confirmou ter votado no candidato do panfleto que havia recebido na entrada do colégio eleitoral. “O moço veio e me entregou o papel com um número e a foto do rapaz que era candidato e como ele era um pastor e eu sou evangélica, decidi que votaria nele mesmo, ali na hora.”

Em cada colégio eleitoral, policiais militares são posicionados para fazer a segurança e uma espécie de fiscalização do local. A soldado Márcia Marafioti, que trabalhou em um colégio eleitoral também na zona Sul da cidade, diz que a principal orientação recebida pelos policiais é a de que qualquer pessoa que seja flagrada cometendo esse ato ilícito deve ser imediatamente encaminhada ao distrito policial mais próximo para prestar esclarecimentos e revela a pena que é recebida. “Geralmente elas ficam presas apenas até o término da eleição, o que na verdade é um absurdo, mas como policiais militares, temos somente o poder de levá-los a delegacia”. Márcia também fica chocada com a sujeira e diz que o dinheiro usado nas bocas de urna poderia ser usado para ajudar quem realmente necessita como igrejas e instituições de caridade.

A boca de urna além de ser considerado crime eleitoral, causa um grande transtorno que é o lixo acumulado nas ruas, o que pode causar acidentes como o que ocorreu no primeiro turno no interior de São Paulo, quando uma mulher teve complicações após escorregar nos panfletos e morreu no hospital. Passados dois dias após a eleição, funcionários da prefeitura na área de limpeza vão para as ruas com vassouras especiais e caminhões apenas para recolherem panfletos e o resto da sujeira provocada pelas eleições.

Os casos mais evidentes no estado de São Paulo foram no ABC paulista, onde os candidatos a vereador Zé Ferreira (PT de São Bernardo) e Vaguinho do Conselho (PSB de Diadema) foram encaminhados à delegacia, após terem sido flagrados fazendo boca de urna, mas foram liberados horas depois. Além da dupla de candidatos, 12 pessoas foram detidas em flagrante pela prática na região.

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