Inclusão: a escola está preparada para ela?

Por FABIANE CAMPAGNA

Sala de aula regular - Alunos da 7° série do Ensino Fundamental II - EE Prof° Francisco de Paula Conceição Junior.
Foto: Fabiane Campagna

Falar de inclusão é um desafio para a sociedade paulistana. Ainda mais quando se trata de inclusão de crianças deficientes nas escolas da Rede Estadual de São Paulo. A sociedade possui barreiras para separar as escolas regulares dos alunos com necessidades especiais. A primeira, e mais difícil, é o preconceito. A segunda é a estrutura física, já que o poder público não tem disponibilizado verbas suficientes. E a terceira é a falta de treinamento dos profissionais da educação em lidar com as diferentes deficiências de seus alunos.

De acordo com o Ministério da Educação, no ano de 2010 houve um aumento de 493% comparado ao ano 2000, chegando a 484.332 alunos matriculados. Um aumento significativo, reforçado pela lei, já que a escola pública não pode negar a matrícula desse aluno com deficiência. A escola estadual Professor Francisco de Paula Conceição Junior, localizada na periferia de São Paulo, no bairro do Campo Limpo, diz que há uma outra dificuldade. Muitos pais não aceitam a deficiência de seu filho, matriculando-o como aluno regular.

Nessa mesma escola, os professores reclamam da falta de treinamento e apoio do poder público, já que os professores lidam diariamente com os alunos deficientes, lhe atribuem notas, fazer diferentes métodos de avaliação e planejar aulas específicas. O professor de Artes Valdemir Santana relata a sua dificuldade: "Tentamos tratar todos os alunos iguais, sem nenhuma distinção. Na hora de avaliar, realmente não há possibilidade de dar a mesma avaliação para o aluno regular e o deficiente. É difícil explicar o motivo da prova do aluno deficiente ser diferente do aluno regular. Fico sem graça e às vezes, prefiro ficar calado." O professor afirmou também que não teve nenhum treinamento nesses 6 anos de exercício como professor da rede pública de ensino.

A diretora da escola, Eliana Malger reclama da falta de verbas para atender as alunos com deficiência, porém é positiva quanto melhoras na infra estrutura. Afirma que a escola tem se moldado para fazer de melhor aos alunos: "A escola tem se adequado aos alunos. Temos alunos com Baixa Visão e temos apostilas, livros e todo o material adequado à ele. Temos alguns professores habilitados em alunos com deficência. A comunidade é bem presente e sempre discutimos melhorias. Fazemos o possível e vemos um futuro melhor." Os alunos da escola também aceitam muito bem os alunos deficientes. "Alguns colegam zombam dos alunos deficientes, mas são minoria. Acho muito injusto zombar de alguém deficiente, pelo contrário, procuro ajudar e converso normalmente. " afirma Jonathan Silva, da 7°série.

0 comentários: