Eles não falam, mas eles sentem

Por AMANDA ARANTES


Cão resgatado e cuidado pela ONG "Luiz Proteção Animal"

Eles recebem o carinho dos animais e as críticas dos humanos. Os donos de ONGs e protetores de animais enfrentam, com freqüência, a luta contra o abandono e os maus tratos de quem não consegue se defender sozinho e o preconceito de quem acha perda de tempo realizar esse tipo de ação.
Silvia Cerveira, de 35 anos, é dona da ONG Anjos de 4 patas e relata as dificuldades:" Ser protetora é muito complicado. As pessoas pensam que é fácil resgatar um animal, cuidar e depois arrumar um lar digno. Em primeiro lugar é importante saber que os protetores são pessoas iguais a você: trabalham, estudam, têm família, filhos, mas decidiram arregaçar as mangas e fazer a diferença. Promover a conscientização em relação ao respeito dos animais é uma das bandeiras mais importantes da causa. Fazer com que as pessoas enxerguem que o animal tem uma vida que precisa ser respeitada é uma batalha constante. Os animais existem da mesma maneira que todos nós, possuem suas individualidades e não estão aqui para nos servir."
O preconceito é grande e, muitas pessoas, não acham necessário esse tipo de ajuda: "Eu não acho menos importante. As pessoas deviam pensar que eles não são nem superiores, nem inferiores. Somos iguais e precisamos de ajuda. Por mais que existam muitas crianças abandonadas, os animais são os mais excluídos, as crianças são mais amparadas que os animais, mas acham que eles são inferiores e não ajudam. Porém, há muitos programas de proteção para as pessoas, mas para animais pouquíssimos, por isso eu tiro o chapéu para as outras ONGs e para programas mais fortes, como o IBAMA e o Projeto Tamar, pois as tartarugas, onças, o Mico Leão e a Arara Azul também precisam de proteção e muitos estão entrando em extinção justamente por falta de cuidado e intolerância das pessoas. Isso é triste, pois esses animais são presentes da nossa fauna brasileira, eles deixam o país mais bonito e natural, mas, infelizmente, o ser humano não sabe cuidar. São poucos os que cuidam e os que não cuidam, criticam. Muitas pessoas acham que deveriam deixar um animal sofrendo para cuidar somente de crianças e idosos. Elas acham que os animais não são como humanos, mas isso é mito, pois eles sofrem muito mais, sentem dor do abandono e dos maus tratos. As crianças e os idosos tem como se proteger, nós falamos. Eles não falam, mas eles sentem",  conclui Silvia.
A garçonete Jaqueline Barros, de 26 anos, ajuda ONGs que cuidam de animais abandonados e maltratados e se sente feliz em ajudar: "Ser protetora de animais é maravilhoso! Sinto-me bem em cuidar de seres inocentes que sofrem. Ver todos eles felizes me faz feliz também. “
Já a protetora de animais Jaqueline Oliveira, de 21 anos, acha que esse trabalho muda a visão da pessoa em relação a vida: "A gente passa a respeitar toda forma de vida. Lutamos pela defesa de qualquer ser vivo, até mesmo pela conscientização de toda população e, acima de tudo, amar seu trabalho e todos os animais. ”
Muitos não imaginam a dificuldade em manter uma ONG. Os voluntários precisam organizar eventos para arrecadar fundos, continuar com o trabalho e dar o apoio necessário a todos os animais. As pessoas que não acham importante esse tipo de caridade não comparecem aos eventos, outras encontram animais abandonados e entram em contato com as ONGs, e a resposta é: "Não podemos acolhê-lo, pois não temos recursos suficientes". É possível conferir essas e outras informações nos sites das ONGs, como no site da ONG Luiz Proteção Animal

Arara Azul em um hotel em Charqueada, interior de SP.

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